Fachada Museu Nacional alta qualidade

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) vem prestar sua total solidariedade aos docentes, pesquisadores, funcionários técnico-administrativos, aos estudantes e bolsistas que trabalham hoje e/ou trabalharam no Museu Nacional, e que se veem, abruptamente, sem seu lugar de trabalho. Também manifestamos nossa completa indignação e repúdio pela forma com que foi tratado o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro nos últimos anos. O fogo que se alastrou na noite do dia 02 de setembro destruiu completamente um patrimônio cultural incalculável de documentação histórica, antropológica, paleontológica e arqueológica, constituído desde a sua criação em 1818. Foram 200 anos de uma história que acompanha os tortuosos caminhos da nação brasileira. Dentre os diversos programas de pós graduação que o Museu Nacional/UFRJ abrigava, é preciso destacar a presença do primeiro programa de pós graduação em Antropologia Social do Brasil, o PPGAS, criado em 1968, tem importância destacada tanto para se entender a história da disciplina como das Ciências Sociais brasileiras, inclusive tendo uma trajetória comum com a ANPOCS, seja na participação de docentes e discentes em seus encontros anuais, seja na gestão de nossa associação científica, que teve diversos antropólogos como seus presidentes, diretores e membros de comissões. A tragédia que destruiu o Museu Nacional espelha prática e simbolicamente um país que vem desqualificando a sua ciência e educação. É uma perda irreparável que expõe concretamente o descaso político e a incúria frente à ciência, a cultura e a história de nosso país. Evidencia a frágil situação de nosso patrimônio cultural e histórico, sem contar a progressiva vulnerabilidade que atinge a pesquisa científica no presente momento no Brasil.