Em meio à crise institucional e econômica, o 40º Encontro Anual da ANPOCS promove reflexões sobre democracia, sistema político, campanhas eleitorais, segurança pública, o papel da religião nas sociedades atuais, dentre outros temas.

A edição deste ano também comemora os 40 anos da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS); uma programação especial fará a retrospectiva histórica da entidade e de sua importância para o campo das Ciências Sociais.

Com análises sobre política, economia, cultura, democracia, movimentos sociais, meio ambiente, questões de gênero e raça e debates sobre modelos de desenvolvimento, acontece em outubro o 40º Encontro Anual da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais). O evento conta com mais de mil trabalhos inscritos que serão apresentados por professores, estudantes de pós-graduação e pesquisadores das Ciências Sociais, entre os dias 24 e 28, em Caxambu, Minas Gerais.

Além de promover o intercâmbio de conteúdos e metodologias, este ano o evento celebra o quadragésimo aniversário da Associação. “Os 40 anos de Encontros da ANPOCS constituem um verdadeiro marco das Ciências Sociais brasileiras. É uma história de construção sistemática e permanente e de participação crucial no debate científico no país e no exterior”, afirma o sociólogo José Ricardo Ramalho, que preside a entidade. “Neste 40º Encontro da ANPOCS, vamos recuperar um pouco desta história, do legado acadêmico e do empenho de suas principais lideranças”.

Como acontece todos os anos, o Encontro Anual da ANPOCS deve ser um espaço privilegiado de debate sobre a conjuntura do Brasil. E em 2016, ano em que o país viveu situação política singular, com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e escândalos de corrupção sucessivos, não deve ser diferente. As interpretações sobre o processo político, as consequências da crise política sobre as instituições de Estado e os impactos sobre a economia devem, portanto, balizar trabalhos e análises.

“Este próximo encontro será especialmente instigante. Teremos a oportunidade de debater de forma aprofundada o que significou o processo que nos trouxe até aqui, bem como seus desdobramentos, contemplando visões diversas, capazes de expressar a pluralidade existente na coletividade das Ciências Sociais brasileiras”, destaca o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, secretário executivo da ANPOCS, acerca das discussões que se farão sobre a atual conjuntura vivida pelo país.

O Simpósio de Conjuntura, consolidado na edição passada, deve propor abordagens interessantes a este respeito. As três sessões – conjuntura política, que acontece no dia 25/10; conjuntura econômica, que será no dia 26/10; e conjuntura social, a ser realizada no dia 27/10 – contam com nomes como Luis Felipe Miguel (UnB), Maria Izabel Noll (UFRGS), Brasílio Sallum Jr. (USP), Marcos Fernandes (FGV-SP), Flávia Chein (UFJF), Breno Bringel (Iesp-Uerj), Michel Misse (UFRJ), entre outros.

A Abertura Oficial do 40º Encontro Anual da ANPOCS será realizada segunda-feira, dia 24/10, às 20h30, na sala 4 do Anfiteatro Glória, Caxambu (MG). Na sequência, haverá a cerimônia de entrega do Prêmio ANPOCS de Excelência Acadêmica, criado em 2013 para reconhecer e premiar pesquisadores da área por suas contribuições acadêmicas, produção intelectual e trabalho institucional em prol das Ciências Sociais. As atividades do primeiro dia de encontro se encerram com o Coquetel de Abertura e Lançamento de Livros e Revistas, às 22 horas.

O evento conta com patrocínio do CNPq, CAPES, FAPESP, FAPERJ, FAPEMIG e Fórum de Segurança Pública, e apoios institucionais do Serviço Social do Comércio (SESC), FFLCH/USP, Prefeitura de Caxambu e Instituto Moreira Salles.

 



:: DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO ::

 

Em 2016, uma ampla programação comemorativa foi planejada para celebrar os 40 anos da ANPOCS. Entre apresentações de vídeos (durante a abertura oficial) e exposições fotográficas (ao longo de todo o encontro), será realizado o Colóquio Especial Comemorativo “A ANPOCS e as Ciências Socais nos últimos 40 anos” (CEC1), dividido em duas sessões, nos dias 26 e 27 de outubro, das 19h30 às 21 horas e das 18h00 às 19h30, respectivamente. O baile comemorativo acontece quinta-feira, dia 27.

Em 2016, os grupos de trabalho (GTs), que funcionam por dois anos seguidos, dão lugar aos seminários temáticos (STs), que orientam a criação de novos GTs para o biênio seguinte. Serão 35 STs no total. Já as apresentações de pesquisas, relatos e produções acadêmicas seguem a dinâmica dos Simpósios de Pesquisas Pós-Graduadas (SPGs), que são realizados ao longo de todo o encontro, sendo, no total, 33 SPGs.

Completam a programação deste ano 11 colóquios com exposições sobre os desafios da editoração científica, provocações sobre o mundo contemporâneo, abordando questões sobre poder, legitimidade e conflitos e, ainda, sobre teorias da mudança social e os megaeventos esportivos realizados no país; quatro fóruns com sobre transformações na produção do conhecimento, religião e teoria social e segurança pública no Brasil; 27 mesas-redondas e cinco conferências com expositores brasileiros e estrangeiros.

Além das conferências com convidados de outros países, em 2016 serão realizadas outras duas ministradas por pesquisadores importantes da academia brasileira. Alfredo Wagner Berno de Almeida, doutor em Antropologia Social pela UFRJ, exporá sobre o tema “Medo de compreender? Ampliação da ação conservadora em domínios que os pensadores críticos imaginavam ter exclusividade”, a partir do qual fará uma reflexão sobre o quadro de instabilidade política do país. Já o sociólogo e cientista político Gabriel Cohn, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, deve discutir os segredos da organização e do modo de funcionamento do capitalismo na sua fase contemporânea na conferência intitulada “Vias sinuosas”.



CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS

A primeira conferência internacional (CF1) deste ano será apresentada por Philippe Steiner, da Universidade Paris-Sorbonne. Com o título “Gift-giving in Modern Societies: the case of Organizational gift-giving”, o sociólogo pretende examinar as características do organizational gift, uma forma específica de atuação social em que uma organização ou uma série de organizações medeiam a relação entre doador e donatário. Steiner tem produzido pesquisas sobre sociologia econômica dos mercados e possui ensaios sobre a relação entre mercado e moral, como o livro “La transplantation d’organes: un commerce nouveau entre les êtres humains” (Gallimard, 2010).

A segunda conferência internacional (CF2) é sobre o Estado Plurinacional na Bolívia, instituído pela Constituição de 2009 e que reconhece o pluralismo da sociedade boliviana em âmbito jurídico, linguístico, econômico e político. O expositor é Fernando Mayoga, da Universidad Mayor de San Simón, sociólogo formado pela UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México) e Ph.D em Ciência Política pela FLACSO (Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales). A ideia é mostrar como uma combinação de regras e instituições possibilitou novas formas de representação política e participação social, configurando um novo tipo de democracia intercultural. Mayorga também observou de perto o recente processo de plebiscito que manteve a restrição ao número de mandatos do presidente Evo Morales, a partir do qual lançou, em coautoria, o livro “Urnas y democracia directa: balance del Referendo Constitucional 2016”.

Por fim, Mabel Grimberg, da Universidad de Buenos Aires (UBA), faz a terceira conferência internacional (CF3), em que apresenta resultados de pesquisas que tem desenvolvido para apurar as tensões e reconfigurações da vida cotidiana dos movimentos sociais na região metropolitana de Buenos Aires. Doutora pela UBA, Grimberg tem produzido análises sobre diferentes temas, como: poder e política, políticas sociais e setores subalternos, politização do cotidiano, demandas sociais e processos de resistência, trabalho e saúde, vulnerabilidade social, gênero e sexualidades.

As três conferências internacionais acontecem nos dias 25, 26 e 27, sempre no horário das 11h30 às 13h00, na sala 4, Anfiteatro Glória.



ESTADO E DEMOCRACIA

Diante de um cenário em que a ação política vem sendo amplamente desqualificada, debater os fundamentos da chamada “crise de representação” da classe política brasileira torna-se um desafio para aqueles que se ocupam da difícil tarefa de articular teoria política e prática. Assim, a mesa-redonda “‘Que se vayan todos?’ Uma discussão sobre a crise de legitimação da classe política brasileira” (MR19) pode ser um importante espaço de troca de ideias sobre o que está acontecendo no país.

Já a relação entre democracia e as desigualdades existentes (sociais, econômicas, culturais, raciais, de gênero etc.), que acabam sendo limitadores democráticos, será o enfoque do seminário temático “Democracia e Desigualdades” (ST9). Os trabalhos apresentados trazem contribuições sobre as possibilidades de representação na esfera política e como isso impacta a democracia. E, também, estudos sobre representação de negros e mulheres em diferentes instâncias de poder (câmaras, assembleias e Congresso Nacional), a irrupção de novos sujeitos políticos, etc. Uma das pesquisas a serem apresentadas no ST9 pretende discutir “comportamento e cosmovisão dos formadores de opinião dos ativistas de direita brasileiros”, trazendo elementos interessantes ao debate.

Ainda sobre os novos sujeitos políticos, vale destacar a mesa-redonda “A ‘nova direita’ mostra a sua cara: origens, sujeitos e características” (MR2), que busca analisar o discurso dos grupos da nova direita, tomando como ponto de partida suas heterogeneidades, uma vez que são compostos por movimentos sociais distintos, como o MBL, grandes meios de comunicação, associações empresariais, entre outros atores.

Destacam-se, ainda, a polarização política em manifestações pró e contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que tomaram as ruas do país nos primeiros meses do ano, e as ocupações feitas por estudantes secundaristas em vários estados do país, que serão discutidas no seminário temático “Entre as ruas e os gabinetes: institucionalização e contestação nos movimentos sociais” (ST13). Além disso, jogar luz sobre processos de apropriação, representação política (e estética) de sujeitos e subjetividades até então invisibilizados é objetivo do seminário temático “Dinâmicas subjetivas e espaço público: gramáticas emocionais, corporais e estéticas” (ST11).



PARTICIPAÇÃO SOCIAL

A ampliação das funções de controle do Estado, a diversificação de instâncias de participação e representação da sociedade civil e a diferenciação de atores, estratégias e interesses que estas inovações promovem incidem sobre a efetividade democrática. Assim, os trabalhos apresentados no seminário temático “Controle, participação e efetividade democrática” (ST8) buscam mostrar meios e práticas que contribuem para ampliar ou diminuir o nível de participação e controle social das políticas de Estado.

A relação entre os três poderes, o comportamento da burocracia, o controle democrático a partir da accountability das instituições estão presentes também nos trabalhos do simpósio de pesquisa pós-graduada “Instituições políticas: controles democráticos” (SPG14). Um destes busca refletir sobre a qualidade da democracia a partir da percepção dos cidadãos sobre o Estado Democrático de Direito brasileiro. Corrupção, controle de contas públicas por meio dos tribunais regionais de contas e transparência pública também são questões em destaque neste simpósio de pesquisa.



SISTEMA POLÍTICO

O sistema político brasileiro, a composição dos partidos e a escolha dos candidatos são temas presentes em inúmeros espaços de discussão desta edição do Encontro Anual da ANPOCS. Sobressai-se, assim, o seminário temático “Partidos e sistemas partidários” (ST21), cujos trabalhos objetivam mostrar como são as composições dos partidos, suas vinculações a grupos de interesse e as possibilidades existentes de reformas políticas. Já o comportamento eleitoral e as variáveis definidoras do voto, incluindo o debate sobre o voto econômico, serão temas específicos do colóquio “Estudos eleitorais: voto, campanhas e suas metodologias” (CQ8), que acontece em duas sessões, dias 25 e 26.

Destaque para o número de trabalhos que analisam o chamado “presidencialismo de coalizão”, motivo pelo qual foi criado o seminário temático “O presidencialismo de coalizão revisitado: mudanças recentes no sistema político brasileiro” (ST19). Algumas pesquisas trazem dados sobre os possíveis impactos do presidencialismo de coalizão sobre a forma de promover política pública no país; outras apontam as dificuldades advindas das relações de barganha política intrínsecas neste tipo de governo; e há ainda as que apontam o presidencialismo como causa da atual crise institucional brasileira. Já a mesa-redonda “Coligações eleitorais no Brasil: balanço sobre a atual agenda de pesquisa” (MR6) pretende promover uma discussão sobre o atual estágio da produção acadêmica que investiga as razões e efeitos das coligações eleitorais no Brasil.



JUSTIÇA E POLÍTICA

Outro tema que tem se mostrado bastante relevante na atual conjuntura brasileira é o fato de o campo da justiça ocupar lugar cada vez mais central na cena política. Com o agravamento da crise em 2016, ações do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal e do Poder Judiciário passaram a ditar os rumos do processo político, ao mesmo tempo em que politizaram o campo da Justiça. Este será o debate central da mesa-redonda “Justiça: política por outros meios?” (MR26), que acontece dia 27 de outubro.

O seminário temático “Controle, participação e efetividade democrática” (ST8) também pretende se debruçar sobre o fenômeno da judicialização da política. E quando o sistema de Justiça passa também a ser politizado, a pergunta que emerge é “quem controla os controladores?”, questão que, aliás, intitula uma das pesquisas a serem apresentadas neste seminário temático. A ideia é expor o atual cenário da Justiça brasileira com sua atuação cada vez mais relevante na condução e definição dos rumos da política do país.



FINANCIAMENTO DE CAMPANHA

O seminário temático “Dinheiro, política e democracia” (ST12) tem como principal objeto o financiamento político e seus impactos sobre o processo decisório, com desdobramentos nos casos de corrupção, abuso de poder econômico nas eleições e legitimação do lobby por meio de grupos de interesse. A pesquisa “Interesses em jogo: doações de campanha e composição das comissões da Câmara dos Deputados (1995/2015)”, de Bruno Carazza dos Santos (UFMG), deve trazer elementos concretos de como se constituiu esta relação ao longo das duas décadas analisadas.

O papel dos partidos políticos na distribuição de recursos entre candidatas e candidatos no Brasil e o financiamento empresarial das campanhas eleitorais – proibido nas eleições de 2016 – são também temas a serem abordados pelos pesquisadores do ST12. Uma das pesquisas a serem apresentadas traça um paralelo entre a reforma de financiamento eleitoral feita no país e aquelas feitas recentemente em outros países da América do Sul.



OPINIÃO PÚBLICA

O seminário temático “Comportamento, opinião pública e cultura política” (ST6) traz, entre suas pesquisas, temas como comportamento político, marketing de campanhas eleitorais, autoria da tese do impeachment e formação da opinião dos eleitores em época de crise, além de pesquisas que abordam, por exemplo, o impacto da Operação Lava Jato no comportamento político dos eleitores. A ideia geral deste seminário temático é discutir algumas das principais questões da atualidade, a formação da opinião pública e sua influência sobre comportamentos e sobre a própria cultura política.

O debate sobre a formação da opinião pública é também objeto de inúmeros trabalhos que serão apresentados no seminário temático “Mídias, política e eleições” (ST17), que visa verificar o exercício do poder através da difusão da informação e da dimensão discursiva da política. As pesquisas do seminário buscam, de um lado, apontar a função dos grandes meios de comunicação na construção de narrativas e do agendamento político e, de outro, mostrar o papel cada vez mais relevante das mídias digitais (Twitter, Facebook, Whatsapp etc.) na reprodução ou contraposição a estas narrativas.



RELIGIÃO E POLÍTICA

Embora este tema já tenha tradição nos debates das Ciências Sociais, em função de sua relação direta com inúmeros conflitos que ocorrem no mundo, ele tem se tornado cada vez mais pertinente à atualidade brasileira, em especial, quando relacionado aos direitos reprodutivos das mulheres, aos direitos sexuais de mulheres e população LGBT, aos direitos de opinião, liberdade de expressão e crença religiosa, e à laicidade do Estado.

Para debater estes e outros temas correlatos foi organizado o fórum “Secularismo, emergência pública da religião e teoria social” (FR3). O objetivo principal é discutir a reconfiguração do secularismo brasileiro ou a relação entre religião e esfera pública, tendo em vista a crescente presença e influência de novos atores religiosos, sobretudo, de pentecostais, na arena pública. Tema que também encontra abrigo no simpósio de pesquisa “Religião, política e direitos humanos” (SPG28).

O seminário temático “Religião, política e direitos na contemporaneidade” (ST29) deve aprofundar questões relativas à articulação entre religião, política e direitos, visando compreender as tensões e linhas de força presentes nas lutas sociais. Vale mencionar que todos os trabalhos apresentados na 2ª sessão do ST29, a ser realizada no dia 27, dizem respeito ao direito ao corpo, relações de gênero e direito ao aborto, o que demonstra a relevância do tema dentro da atual conjuntura política do país. Diálogos sobre feminismo, religião e sexualidade também marcam o seminário temático “Sexualidade e gênero: política, direitos e sujeitos” (ST30).

Já o simpósio de pesquisa “Controvérsias religiosas na contemporaneidade: demandas juvenis e tomada de posição política” (SPG5) busca compreender os posicionamentos morais e políticos de sujeitos em controvérsias públicas envolvendo religião e laicidade e as implicações que algumas crenças e práticas trazem para a inserção política, neste caso, especialmente, do jovem brasileiro.



SEGURANÇA PÚBLICA

O aumento do encarceramento, a política de guerra às drogas, o número crescente de jovens assassinados e as formas de administração de conflitos e ilegalismos colocam a necessidade de uma reflexão constante sobre o campo dos estudos sobre violência, crime, segurança pública e punição em nosso país. Estas questões serão debatidas no fórum “Crime, Polícia e Segurança Pública no Brasil” (FR4).

O seminário temático “Administração de conflitos, Segurança Pública e Punição no Brasil” (ST03) também deve oportunizar reflexões relevantes sobre o tema, principalmente, a partir de trabalhos que apresentam dados empíricos sobre segurança pública de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais.

O Sistema de Justiça criminal brasileiro, as sanções punitivas impostas a jovens e adultos e o encarceramento também são temas do simpósio “Estudos em antropologia do direito, sociologia da punição e encarceramento: discutindo o sistema prisional e socioeducativo no Brasil” (SPG13). Já as práticas empreendidas por agentes ou agências do sistema de segurança pública e justiça criminal aparecem no simpósio de pesquisas pós-graduadas “Sociologia das práticas policiais e judiciais” (SPG30).



CONFLITOS AMBIENTAIS

O ano de 2015 foi marcado pelo pior desastre ambiental já ocorrido no Brasil, que foi o desabamento da barragem da Samarco em Mariana, Minas Gerais. A mesa-redonda “Mariana, crônica de um desastre: mineração, sofrimento social e resistência” (MR14) pretende desvelar os fatores que contribuíram para o desastre, incluindo os arranjos institucionais em torno do licenciamento e monitoramento ambiental, tomando como referência o processo de “reprimarização” da economia latino-americana.

A temática dos conflitos ambientais está presente num leque amplo de pesquisas enviadas ao 40º Encontro Anual da ANPOCS. Vale destacar os trabalhos que apontam os impactos do desastre de Mariana na cadeia ecossistêmica e social da Bacia do Rio Doce, como a pesquisa “Desastre no contexto da modernidade brasileira: injustiça ecológica, ecocídio e responsabilidade no caso da Bacia do Rio Doce (Brasil)” e “A resolução negociada e seus efeitos políticos: conflitos e desastre em empreendimentos minerários”. Ambas as pesquisas compõem o seminário temático “Conflitos e desastres ambientais: violação de direitos, resistência e produção do conhecimento” (ST7).

Conflitos entre saberes técnicos e populares ou tradicionais serão debatidos no simpósio de pesquisas “Movimentos sociais e ecologia política: conflitos ambientais na cidade, campo e florestas” (SPG19). Além disso, temas como resíduos sólidos e seus impactos nas cidades, desenvolvimento de novas fontes de energia, e políticas públicas com enfoque no meio ambiente estarão no simpósio “Políticas públicas, desenvolvimento e meio ambiente” (SPG25). Destacam-se ainda as pesquisas que tratam do tema da desterritorialização de povos locais (indígenas, ribeirinhos, pescadores) durante a construção de grandes projetos e obras e as possiblidades de resistência protagonizadas por estes grupos.

 



PESQUISA E EDITORAÇÃO CIENTÍFICA

A produção científica em tempos de crise será objeto do fórum “Transformações na produção do conhecimento: novos arranjos institucionais e respostas às crises” (FR2). O fórum deve analisar as mudanças experimentadas pelo sistema de ciências em conjunturas de crise, quando as demandas da sociedade são reorientadas seja por restrições de recursos, seja porque o sistema de produção de conhecimento é chamado a responder rapidamente, como no caso da epidemia do vírus da Zica, em que a comunidade científica foi bastante mobilizada pra produzir respostas ágeis.

O seminário temático “Métodos e técnicas de pesquisa em Ciências Sociais” (ST16) pretende discutir desenvolvimentos recentes na área de métodos e técnicas de pesquisa e suas implicações empíricas, teóricas e epistemológicas. Já as intersecções entre o campo das Ciências Sociais e outras áreas de conhecimento ou esferas da vida cotidiana estão presentes nos simpósios de pesquisas pós-graduadas “As Ciências Sociais e as populações costeiras: territórios e conflitos” (SPG3) e “Ciências Sociais e Educação: dilemas e possibilidades na produção do conhecimento” (SPG4).

Novos paradigmas serão discutidos na mesa-redonda “Sociologia relacional: Um novo paradigma?” (MR24) e, para avaliar os impactos institucionais na configuração intelectual e acadêmica da sociologia brasileira no momento atual, haverá, ainda, o simpósio “Rumos contemporâneos da sociologia brasileira” (SP2).

Por sua vez, diagnósticos e indicadores alternativos para avaliar ou aferir a qualidade dos periódicos científicos em Ciências Sociais são objetos do colóquio “Os desafios da editoração científica no campo das Ciências Sociais” (CQ10), que deve discutir alternativas aos indicadores e estratégias para um novo cenário de editoração, bem como as possibilidades de adaptação das revistas da área às crescentes exigências do campo da editoração científica.

Este ano, a Revista Dados, publicada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ, completa 50 anos. Além de ser uma das principais e mais longevas revistas de Ciências Sociais no Brasil, é também um veículo pioneiro no desenvolvimento da editoração científica nas Ciências Sociais. Uma Sessão Especial do encontro sobre a publicação e a trajetória das Ciências Sociais celebra o meio século da revista.



EXPOSIÇÕES E FILMES

Quatorze ensaios fotográficos serão expostos ao longo dos quatro dias de evento, tendo por objeto variados temas, como religiosidades afro-brasileiras, manifestações de rua, gênero, rituais indígenas e outros, morte, relações África-Brasil, transformações urbanas e água. A sessão de cinema exibirá nove filmes, igualmente sobre temas muito distintos, que vão do samba ao funk, passando pelas performances de dança soul, contemplando ainda outros temas, como a religião e também a presença de indígenas na cidade.



CURSO E WORKSHOP

Para os que pretendem aprofundar conhecimentos no campo das Ciências Sociais, ao longo do evento será realizado o tradicional curso “Reinventando os Clássicos” (CS1). O curso está organizado em três aulas: Aula 1. O “Ensaio sobre a Dádiva”, quase um século, que será ministrado pela professora Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (UFBA); Aula 2. Entre a racionalização da conduta e a efervescência coletiva: razão e emoção no estudo dos movimentos sociais – perspectivas clássicas e contemporâneas, a ser ministrada pelo professor Marcelo Kunrath Silva (UFRGS); e Aula 3. Clausewitz e o “Da Guerra”, ministrada pelo professor Eugênio Diniz (PUC Minas).

Haverá ainda o workshop “Acesso, difusão e memória: o caso da Brasiliana Fotográfica” (WS01), ministrado por Roberta Zanatta, do Instituto Moreira Sales. O workshop se propõe a melhor compreender os desafios e questões que vêm sendo colocados como parte desse novo universo digital on-line, tomando como exemplo a experiência da Brasiliana Fotográfica, que completou um ano em 17 de abril de 2016, contabilizando mais de 7 milhões de visualizações e cerca de 50 posts.

 





Mais informações:
Ana Claudia Mielke | Assessoria de Imprensa
40º Encontro Anual da ANPOCS | De 24 a 28 de outubro de 2016, Caxambu (MG)
Telefones: (11) 3091-4664 | (11) 99651-8091